quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A inundação de Lisboa


Há uns dias choveu com grande intensidade e Lisboa, como de costume de há uns anos a esta parte, inundou.
Claro que apareceram logo uns quantos a culpar este e aquele pelo facto de a água se ter acumulado na baixa de Lisboa.
Ora, esquecem-se que Lisboa tem umas quantas ribeiras tapadas, que em dias de muita chuva também enchem. E esquecem também uma coisa chamada de preia-mar (maré cheia). Quando isto se combina, como dizia o Arqº Ribeiro Teles, não há grande hipotese, temos mesmo que deixar a água escorrer o melhor possível. Se a aguá não escoa, então há necessáriamente uma cheia.
Segundo me recordo, de ambos os lados do Parque Eduardo VII há duas que se juntam algures por baixo da Avª da Liberdade e desaguam nos Restauradores. Desde os Restaurados até ao Cais do Sodré é rio, ainda que não o vejamos ele "anda" lá por baixo.
Posto isto, eis o artigo do Público que melhor resume a situação:
http://www.publico.pt/local/noticia/lisboa-tera-sempre-inundacoes-1670624

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O Homem e a Máquina

A ultima notícia sobre as portagens na Brisa (pseudo-substituição de Portageiros por máquinas) fez-me lembrar a velha discussão sobre a automatização da nossa sociedade. Com o estado actual da tecnologia, poderão as máquinas substituir os Homens em algumas tarefas?
Sim, podem, o resultado final, em alguns casos, é o mesmo com menor custo. Mas ficaremos nós contentes com o serviço resultante da substituição? Bom, isso depende... E de quê? Bom, depende essencialmente da qualidade de serviço que estamos dispostos a aceitar.

O caso aparentemente simples das portagens é um exemplo claro de que não vai ser fácil esta substituição do Homem pela Máquina, se quisermos manter a mesma rapidez do processo. E alguns, com esta ultima palavra terão concerteza percebido onde falham estas abordagens.

O processo de pagamento com Portageiro (dito de Manual) tem um processo simples, porque tem simplificações naturais perfeitamente evidentes:
1- Chegamos à cabine com o bilhete da portagem;
2- Entregamos o bilhete ao Portageiro;
3- O Portageiro recebe o bilhete e muito rápidamente o introduz no sistema, ficando nós a saber exactamente qual o montante;
4- Entregamos o meio de pagamento;
5- O Portageiro imediatamente entende qual o meio (cartão, dinheiro) e faz muito rápidamente "as contas";
6- Recebemos o troco (ou não) e o recibo ao mesmo tempo.
Este é o processo todo de pagamento de forma dita Manual.

O processo Semi-automático não é tão simples, querem ver?
1- Chegamos à cabine com o bilhete da portagem;
2 - Temos que colocar o carro a uma boa distância da máquina, senão acontece como nos parques de estacionamento que temos que crescer mais uns 10 cm para chegar à ranhura (este cuidado era menor no método Manual porque o braço do condutor e Portageiro colmatavam algumas folgas na distância);
3- Introduzimos o bilhete na máquina; nos primeiros tempos, ficamos 2 minutos a ver onde se mete o bilhete;
4- A máquina processa e indica o montante;
5- Como habitualmente, escolhemos qual o método de pagamento (dinheiro, cartão, etc);
6- Efectuamos o pagamento e clicamos no botão do recibo;
7- Recolhemos o cartão/troco e o recibo em partes diferentes da máquina (ah pois, neste mecanismo este pormenor é muito importante);

Nestes e noutros temos há que pensar primeiro se introduzir a mecanização não será antes um entrave em vez de uma simplificação.
Claro que tudo tem vantagens e desvantagens, mas é necessário analisá-las com cuidado e expor/debater esta análise com o publico em geral, para que de facto haja alguma envolvência entre a população e a sociedade que a rodeia. Se isso não acontecer voltamos ficamos com a percepção, ainda que errada, que há um conjunto de pessoas que toma medidas autistas, com objectivos individualistas a pensar unica e exclusivamente no lucro fácil.
Nas auto-estradas o consumidor não tem qualquer hipótese de punição através do mercado livre, pois a concorrência é nula.
Noutros casos porém, isso pode reflectir-se de imediato; imaginem num supermercado com as tais caixas semi-automáticas... São mais rápidas ou mais lentas que as normais?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Os e-mails e os compromissos

Hoje houve uma discussão interessante cá na ilha, então não é que um grupo de pessoas decidiu combinar um eventos por e-mail? Ainda não houve nenhuma conclusão mas decerto que nunca será possível chegar a uma decisão.
E aqui é que reside o mistério, é que apesar de todos os intervenientes lerem e-mails, raramente se consegue combinar algo de jeito, nem que seja um jantar. Todos lêem a mensagem, pode até ser objectiva, mas não resulta.
Há muitas razões para que nunca se consiga tal feito, mas quando um grupo superior a 3 ou 4 pessoas decide combinar algum evento, exclusivamente por email, o que resulta é normalmente um fracasso, a não ser que alguém fure este pressuposto e decida telefonar.
Desde logo há razões físicas: o e-mail pode perder-se, chegar muito tarde, ser alterado ou truncado por filtros.
Depois temos razões de natureza incerta como: a pessoa esquece-se que tem e-mail ou mudou recentemente de operador, esqueceu a password, teve uma inundação de mensagens, etc...
Mas é interessante analisar duas situações tipo.

Quando o grupo é heterogéneo no contacto com as novas tecnologias, as dificuldades surgem normalmente em: tempo de resposta de cada um, percepção da mensagem (que levanta o problema de cada vez haver mais iliterados), organização pessoal de cada um (que levanta o sério problema de ninguém planear nada na vida) e alguma disciplina nas respostas. O resultado final é ou ninguém responde, ou por cada resposta meia-objectiva surgem duas ou três sugestões e algumas criticas à mistura; ou seja, não há conclusão do processo.
Para pessoas não habituadas a e-mails e a questões organizativas, até se compreende, mas ainda assim revelamos nas pequenas coisas as razões do nosso sub-desenvolvimento social.

Problema maior surge quando estas discussões e combinações por e-mail é feita por um grupo de pessoas habituadas as estas coisas. Ou seja, habituadas a usar o e-mail no seu dia-a-dia como ferramenta de trabalho, algumas quase em exclusivo.
Neste caso os problemas principais são: não responder (fugindo do compromisso), respostas ambíguas (daquelas em que tudo se diz e nada se conclui porque tudo lá pode caber), meias-respostas (responder a metade das coisas deixando por vezes o principal em aberto), divagar sobre outros assuntos paralelo ao evento e, finalmente, quando estamos no fim do acerto das datas ou assunto, desmarcar tudo!

Resumindo, as dificuldades principais surgem nas próprias pessoas, há casos em que empresas são suporte com sucesso a utilizadores a partir da India, EUA, Romenia, 24 horas por dia; mas há casos em que paradoxalmente e apesar da proximidade física das pessoas não é possível fazer grande coisa.
Outro mistério que influencia tudo isto é a capacidade das pessoas comunicarem, estará a diminuir? Sem boa comunicação é difícil...

terça-feira, 29 de junho de 2010

A anestesia do futebol

Desde que começou o mundial na África do Sul anda meio mundo anestesiado, pensa-se em futebol, vive-se o futebol e parece que tudo o resto passa para segundo plano. Os noticiários abrem com declarações, casos, pseudo-casos, horas de treinos, etc, etc.
Só as portagens nas SCUTs sobrevivem aos debates e apenas porque envolve dinheiro no bolso dos contribuintes...
No dia de hoje, uma história de faca e alguidar sobreviveu ao futebol, como faz parte do circo em que vivemos, vai servindo para desviar a atenção de outras coisas talvez mais importantes.
E isto tudo, note-se, em tempos de crise. Perdemos dinheiro de cada vez que Portugal joga, pagamos aos jogadores para estarem na África do Sul e assim por diante.
No final de tudo, vamos dizer o quê a quem necessita de emprego ou "dinheiro para o bife"? Que ganhámos o Mundial?
Já se dizia em Roma que o que interessa para por toda a gente contente é "pão e circo" e com razão.
Claro que todos gostamos de desporto, toda a gente gosta de ganhar, mas, tudo na devida medida do aceitável.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A Eficiência

Uma agência Americana (US) concebeu uma maneira mais eficiente de arrefecer o ar. O artigo está aqui e pode revolucionar os aparelhos de ar condicionado lá de casa.
Como foi uma agência governamental o projecto pode ter sucesso, ao invés de outros que foram silenciados pelos fabricantes, porque a economia tem (ou tinha?) mais força que o ambiente.
Outro exemplo, um inventor Australiano descobriu uma maneira de fazer o motor de explosão dos nossos carros ser mais eficiente e consumir menos gasolina, sabiam? Um construtor Americano comprou a patente e nunca mais ninguém ouviu falar disso. Isto porque os actuais modelo de construção de automoveis (linhas de montagem, fábricas, peças, etc) ainda não tinham atingido o lucro. Assim sendo o projecto tinha que esperar, tal como nós...
A mudança, infelizmente far-se-á quando acontecem coisas como o derrame enorme de petróleo no Golfo do México e a empresa responsável tem que pagar todas as indeminizações, mesmo as ambientais.
Se isto passar a acontecer então é sempre mais lucrativo apostar em formas de energia renováveis.
Mas a mudança também passa por nós consumidores, utentes e cidadãos, basta agirmos!